A ordem dos fatores altera o produto
Autoria de Prof. Luiz Carlos Chiesa quinta, 12 de abril de 2007 Última Atualização domingo, 09 de dezembro de 2007 Prof. Luiz Carlos Chiesa
Na musculação o sucesso do treinamento, muitas vezes é reduzido ou inutilizado, porque no momento da formulação das seqüências de exercícios, não há uma preocupação com alguns fatores relacionados com a lógica do conhecimento científico, o qual é determinado pelas respostas fisiológicas musculares. Contrariamente à matemática tradicional, onde “a ordem dos fatores não altera o produto”, nos trabalhos contra-resistência, o presente conceito não se aplica. Os trabalhos práticos na musculação, são norteados racionalmente, mediante a utilização de fichas/catálogo, que devem conter as seqüências de exercícios, o número de grupos ou sets, o intervalo de repouso entre os exercícios, as cargas ou pesos etc. A ordem que é composta a seqüência de exercícios, é comumente planejada de forma a privilegiar determinado exercício, grupamento ou região muscular. Os exercícios mais importantes são aglomerados, via regra, logo no início da seqüência. A presente atitude, visa a manutenção de uma carga de trabalho ou estímulo, mais potente sobre os músculos que compõem os exercícios principais à chamada série Prioritária ou de Prioridade . A atitude de observação prática e científica, nos revela que há uma redução importante sobre o número de movimentos ou repetições, no decorrer da fase aguda do treinamento. Sabemos que quanto mais exercícios são realizados na seqüência, menor é a capacidade de sustentação de uma contração eficiente e potente, com conseqüências negativas sobre o número de repetições e conseqüente performance da potência muscular. Independente de o exercício ser realizado com grupamentos musculares grandes ou pequenos, tronco ou membros inferiores, há sempre uma redução progressiva do número de repetições máximas, durante a realização da seqüência, principalmente quando da não verificação dos intervalos de recuperação exatos. Intervalos de recuperação insuficientes, são na maioria das vezes a grande causa da redução momentânea do rendimento de força, durante o exercício. Os números de movimentos máximos possíveis nos primeiros sets dos primeiros exercícios, não são mantidos com a mesma eficiência ao longo do treinamento da seqüência, sendo que, sempre os últimos exercícios serão menos eficientes, quando comparados em condições de sobrecargas (peso) idênticas, com a sua realização no início da seqüência. Na prática diária em academia, nos deparamos com seqüências compostas por um número bastante significativo de exercícios, variando entre 03 a 06 por grupamento muscular, com 03 a 04 sets/grupos em cada exercício ou aparelho, aglomerados seqüencialmente. A presente carga de trabalho impõe uma sobrecarga muito intensa de fadiga sobre o organismo, principalmente quando os tempos para a recuperação do esforço são curtos, entre 60 a 90 segundos. Um período de tempo de 180 segundos, é o exigido para uma recuperação plena (100%) da energia anaeróbia alática (ATPCP), Barbanti; 1986, a qual foi utilizada no exercício muscular localizado. Com freqüência, me deparo com profissionais, atletas e praticantes de academia em apuros, justamente durante a montagem da seqüência de exercícios. Se os objetivos forem traçados, como devem ser; antes do início do treinamento, ou seja, na fase de planejamento, muitos inconvenientes serão eliminados ou controlados. Tenho encontrado ao longo dos anos muitos atletas de esportes de força e velocidade, sendo submetidos a treinamentos de musculação, por meio de técnicas que visam hipertrofia e resistência de força muscular localizada, ao passo que, deveriam treinar como alvo principal, os aspectos relevantes sobre a força máxima, força explosiva, força dinâmica, dentre outras formas de manifestação da força muscular. Sem uma periodização a qual deve ser formulada antecipadamente no Plano Geral de Treinamento, o qual engloba os meios organizacionais de controle do treinamento desportivo e musculação, por intermédio dos microciclos, mesociclos e macrociclo de treino, infelizmente os equívocos continuarão a ser freqüentes. Há inúmeras formas de aplicação de cargas, assim como, mais de uma dezena de possíveis formulações de seqüências e também de incontáveis variações de exercícios . È importante ressaltar que não há uma fórmula mágica e definitiva, o conhecimento científico mais apurado, aliado à experiência profissional, é que fará a diferença, durante a formulação das seqüências mais eficientes, e portanto, que garantam o sucesso do treinamento. Durante a formulação das seqüências alguns princípios podem ser aplicados visando um melhor aproveitamento dos exercícios e conseqüente melhora do rendimento no treinamento. Abaixo se encontram alguns conselhos pessoais, assim como, dos cientistas e treinadores tais como: Verkhoshanski; 2000, Zastsiorsky; 1999, Weineck;1999, Platonov & Bulatova; 2003, Kraemmer & Häkkinem; 2004. 1. Para os alunos iniciantes é prudente aplicar exercícios alternando tronco e membros superiores com membros inferiores, assim como intervalos de repouso longos entre 120 a 180 segundos. 2. É mais importante para os alunos iniciantes aprender sobre aquecimento, respiração, a técnica correta dos exercícios, os intervalos de recuperação etc. A preocupação com variações mirabolantes ou espalhafatosas dos exercícios, a excessiva preocupação com seqüências de exercícios banais visando à estética e performances elevadas, certamente são erros graves. 3. Os exercícios que devem ser realizados em alta velocidade ou potência (para os atletas de força e velocidade) devem estar no topo da seqüência de exercícios. Realizar exercícios de velocidade estando em condições de fadiga, reduz a eficiência motora e aumenta a probabilidade de lesão, por indução ao erro de execução. 4. Para atletas que necessitam de força em condições de fadiga (resistência de força) os exercícios principais, devem ser educacaofisica.org http://educacaofisica.org/joomla Powered by Joomla! Gerado: 21 October, 2008, 11:21 dispostos ao final da seqüência de exercícios. 5. Alunos iniciantes não devem ser submetidos a sessões agudas, com treinamento fatigante ou que induzam a dores musculares tardias intensas. 6. Visando especificamente a hipertrofia muscular, os exercícios devem ser aglomerados para cada região muscular, e serem realizados com repouso curto entre 60 a 90 segundos. 7. Visando força muscular, os exercícios devem ser distribuídos de forma alternada por seguimento muscular superior x inferior, e assim sucessivamente, ao longo da seqüência. 8. Nos treinamento para força e potencia, os intervalos de recuperação mais longos >= 180 segundos, são mais favoráveis ao aumento da força, quando comparados a tempos de recuperação curtos entre 30 a 90 segundos. 9. Exercite primeiro os Bíceps antes dos tríceps, quando a seqüência de exercícios for desenhada na forma aglomerada no seguimento corporal superior. 10. Modifique periodicamente a forma de seu treinamento. A forma de aplicação de cargas denominada por Platonov & Bulatova; 2003, Série Suplementar, é um meio ou tentativa em burlar, uma possível fadiga cumulativa muscular localizada, caso a seqüência de exercícios seja aglomerada ou localizada por região muscular. A presente forma de aplicação de cargas pode ser aplicada em sua forma modificada como abaixo, no quadro 01. Quadro 01 A presente variação de exercícios na seqüência, permite manter uma aplicação de estímulos, que são mais bem aproveitados visando o treinamento de força, quando comparados com uma seqüência de exercícios aglomerados como visto no quadro 02 a seguir. Quadro 02 Os quadros acima dispostos, são exemplos de modificações sutis na estrutura de uma seqüência de exercícios, que podem fazer a diferença nos resultados, proporcionando uma fenda entre o sucesso e fracasso do treinamento, que pode estar voltado para grandes ganhos nas performances de força como exemplificado no quadro 01, ou voltado mais para a hipertrofia, como no caso da seqüência do quadro 02. Bons treinos! Obs: Para ver o referencial bibliográfico, entre em contato com o autor. Profissional de Educação Física: Luiz Carlos Chiesa www.professorchiesa.com.br Registro CREF 1- 000069 G/ES
- Graduado pela U.F.E.S-1985/1 - Pós graduado em Treinamento Desportivo pela Universo/1999. - Diretor do CREF 01/ ES. - Autor dos livros: - Musculação: uma proposta de trabalho e desenvolvimento humano, Espírito Santo: Editora da U.F.E.S, 1999. - Musculação: Aplicações práticas – Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento, Rio de Janeiro: editora Shape, 2002. - A musculação racional. Bases para um treinamento organizado, (em fase de edição; editora PAIDOTRIBO, Barcelona/Espanha).
Créditos: EducaçãoFísica.org agradece ao Prof. Luiz Carlos Chiesa (www.professorchiesa.com.br) pela permissão de reproduzir o artigo "A ordem dos fatores altera o produto". Texto Copyright © 2006 por Luiz Carlos Chiesa. educacaofisica.org